Mesas Radiónicas e Benzeduras: ecos da mesma magia ancestral

Num tempo em que a fronteira entre o visível e o invisível era tão ténue quanto o nevoeiro que subia das serras, as antigas benzedeiras caminhavam entre mundos. Com ramos de oliveira, palavras sussurradas ao vento e rezas herdadas de gerações, tocavam aquilo que não se via, realinhando a energia das pessoas como quem penteia os fios soltos do destino. A sua arte era intuitiva, visceral, nascida do sentir profundo e do diálogo silencioso com a natureza.

Hoje, quando nos sentamos diante de uma Mesa Radiónica, somos convidados a entrar na mesma dança subtil de forças. Ali, o pêndulo move-se como antigamente a mão da benzedeira: atento aos fluxos, às sombras e aos brilhos que escapam ao olhar comum. Os decretos que pronunciamos na Mesa — fórmulas vibracionais, afirmações, comandos energéticos — são ecos modernos das antigas bênçãos, carregadas de intenção e fé. Enquanto a benzedeira dizia “que o mal se desfaça”, hoje dizemos “que a frequência se alinhe”; mas o gesto invisível é o mesmo.

Na Radiónica, os gráficos, símbolos e emissores funcionam como as ervas benzidas e os rituais de outrora. Cada elemento guarda um arquétipo, uma memória, uma vibração específica, tal como a arruda, o sal ou a água passada pela chama da vela guardavam o poder de purificar e proteger. A diferença está apenas na linguagem; o propósito permanece idêntico: restaurar o equilíbrio, devolver ao ser humano o seu lugar de harmonia com o cosmos.

Assim, Mesas Radiónicas e benzedeiras cruzam-se no mesmo corredor ancestral. Uma traz a roupagem da modernidade, apoiada em conceitos de energia subtil e frequências; a outra carrega o peso sagrado da tradição oral e do misticismo popular. Ambas, porém, são pontes — pontes que ligam o mundo físico ao invisível, que recolhem os fragmentos dispersos da alma e os reenviam ao seu centro luminoso.

No fim, aquilo que cura não é o instrumento, mas a intenção alinhada, a entrega confiante, a vibração que se eleva quando acreditamos que o Universo responde. E tanto na Mesa Radiónica como nas mãos de uma benzedeira, essa resposta sempre chega — silenciosa, profunda e transformadora.

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